18 de outubro de 2011

Hipocrisia



Eu não gosto de olhar pro lado e sorrir, como se a vida sorrisse pra mim.
Eu só não quero tapar um muro de concreto com sofá de dois lugares.
Eu só queria esperança, paz mesmo que se desfarelasse da pior forma possível.
E como quem pede abrigo, sair e nunca mais voltar pro lugar de onde estou,
mesmo sendo tudo muito lindo, tudo muito familiar,
Isto não me cabe, acaso cabem vocês?
Não me caibo diante do que sou. Se é que sou!
Não me entendes né? Não quero sua compreensão,
não quero sua solidariedade.
Até aqui não tem me servido todos esses tapinhas nas costas e os apertos de mão.
Não há solução em um “vai da tudo certo, você vai ver!”.
Não quero suas palavras de encorajamento.
Não quero o sorriso amarelo que me oferecem.
Bastava-me um silencio honesto,
um abraço que me acolhesse alma,
e me dissesse sem palavras o que é o amor.
Assim caminha a humanidade,
Com passos de egoísmo e sem vontade.
Sobrecarregado e trôpego.
Entre os andarilhos do rizo as garras podres da inconstância.
O dia sem chances de ser feliz segue.

(Mallu Medeiros)

22 de setembro de 2011

Tardio


É chegada a hora da partida
Expulso, sigo pra local desconhecido
Abandonando morada ainda querida
Pois mesmo pulcro foi por dentro consumido

Por um momento reingresso em vivenda
E com pesar rememoro com Carinho
De outra vida que habitou mas foi embora
Transformando o que foi casa em jazigo

E só então recomeço meu derivo
Peregrinando, pleiteando novo abrigo
Levando junto meu alforje com lembranças
Fardo Pesado que estorva meu caminho

Mal necessário que se faz para trilhar
Novo destino rebuscando harmonia
Sina penosa de quem ja viveu outrora
Num coração de um outro alguém que foi embora

19 de setembro de 2011

Imperecivel.


Perdido em mim,
dentro da imensidão do desconhecido, que tudo me causou.
Sentimentos ocultos e imperecíveis,
revelam a novidade que soou.

Vago a procura de algo,
de um alguém
de porque, de aquém.
Nem mesmo sei se ainda existe.

Vou procurando além.
Desnorteado sigo,
sem saber qual melhor caminho.
Para tentar entender.
Entender por que sigo, 
por que me obrigo a entender.

Mas finalmente sinto!

Eu não tenho medo de te perder.
Não tenho medo de não ser amado.
Eu tenho medo é de não tentar, de viver amargurado.

Eu apenas não quero esquecer o que você me fez sentir quando disse que me amava.

Dou meu coração rasgado, quero o são de volta.


Por: Mallu Medeiros e Welligton Gabriel

17 de setembro de 2011

Ponteiros...

 
O ponteiro ponteia,
os pontos do dia em que a solidão bateu,
bateu no peito e soprou como um arrepio pelo corpo todo,
dando a chegada da saudade,
que a tua presença figurativa representa.

O disparo de sentimentos,
dispara palavras contra papeis,
avulsos nos sentidos,
no sentido de ti.

O som ressoa o teu timbre em mim,
ecoa o som, o dom e o tom do nosso amor.
Por favor estreite o nosso corredor.
Corro pra desse amor sairmos vencendo a dor.

O ponteiro, o frio, a solidão, a saudade, a voz as lembranças,
homogenias, têxtil .

Sinto tê-lo,
sinto por não tê-lo,
sinto...
Sinto por não sentir...

Os meus pontos fracos,
os teus pontos altos,
meus gostos e teus gestos,
fazem-nos ir...
Até  a porta do desconhecido
bater e por lá cultivar aquilo que cresce,
imerecidamente e desmedidamente,
invadindo a nossa mente sem pensar e nem precisar de consentir.

Tu?
Tu já estais aqui!

Caço tua imagem,
rogo teu sorriso,
admiro!
Admiro me por ti.

E na mais profunda sede
derramo-me em versos,
embebedando-me do teu amor,
pra te inebriar junto comigo.
Sanando todo secor.

O ponteiro bate a hora de ir
olhos pesados cessam o seguir...

Eu?
Estarei sempre por ti, bem ai.

16 de setembro de 2011

Alcova

Encarcerado encontro-me vivendo
Nessa prisão de latentes sentimentos
Erguida foi com paredes ilusórias
Para reter toda vida, uma história

Tento em vão evadir-me desta alcova
Que outrora foi meu recanto mais querido
Mas já cansado deste amor que posto a prova
Encontro agora meu carrasco, o destino

Mas não se enganem esse muro irá ruir
Pois suplantado pelo tempo a corroer
E o prisioneiro ainda há de transponir
Se Libertar mais uma vez para o viver

Quem nesse mundo, ser vivente, não ficou
Acorrentado a espera de um amor
Na esperança de que tudo ia mudar
Destino triste de quem se dispõe a amar

14 de setembro de 2011

Utopia


Que sina é essa que repete-se outro dia
Revivendo novamente a mesma fantasia
Cegando-se ao que te cerca, desarmonia
Pouco a pouco afastando quem bem te queria

Que sonho é esse que tende a distorcer
Tudo aquilo que já houve sem se enternecer
Mergulhando sem pensar nessa imensidão
Esquecendo que toda história sempre tem um vilão

Destruindo sem hesitar tudo aquilo que criou
Sem ao menos se lembrar de como ali chegou
Pois quem estava no caminho e sempre a ajudou
Só obteve uma paga, novamente, desamor...

Pobre Alice entorpecida
Que teima em não acordar
Não se lembra que os caminhos
Só à levam pra um lugar

Sinuoso é o espinho
Que atravessa o coração
Neste "País" das maravilhas
Onde a vida é ilusão

12 de setembro de 2011

sucessão banal

No revés metamorfoseio,
Corpo, alma, coração, a avessar.
Circulando dos pés as mãos,
os tons, guardados nas canções.
Quantas lamentações!
Cada qual em seu cá de ilusão,
exorcizando tudo no grito.
Não sei, mas nunca evito.
Na solidão dos problemas,
engulo o choro, mastigo o fardo,
e rabisco em versos o odor, do amor, da dor.
Desgasto meus dedos buscando palavras fora de meu alcance.
A cartada final, o lance,
é sempre o começo desigual
de outro  dessa sucessão banal.